Sabe aquela sensação de que tudo o que é realmente importante, é suficientemente íntimo para não ser dito?
Quando se trata de Amor, a gente é sempre burro.
Honestamente... Não gosto de deixar para depois quando tenho
arroubos criativos.
Isso se deve ao fato nada inovador de que é chato mesmo não fazer o que se quer, quando se quer. De toda forma, devo mencionar que estou em transição. Aliás, como sempre, mas hoje ainda mais.
Esse é o momento em que as opções de mudança se fazem presentes, e é ótimo poder mudar:
Sou super partidária das mudanças conscientes.
Enfim... Sem me alongar, só para constar:
Feliz ano Novo.
Feliz vida Nova.
Feliz cenário novo.
Todo o tudo de sempre, mas novo de novo.
Estou vestida de branco.
O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital, toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a idéia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música, etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas”.
Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.
Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, emagrecer, etc.), ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e nunca a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar. Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando...
Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano 2000, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente.
Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”.
-Trecho
do livro: “Não nascemos prontos! Provocações filosóficas”, de Mario Sergio
Cortella.
Amor
é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
- Luis de Camões
O texto de hoje é dedicado aos passageiros de fretado que fecham
TODAS as janelas, todos os dias de manhã (eles provavelmente descem no ponto
final e não devem se preocupar onde estão), transformando o ônibus no que eu
chamo de “casulo ambulante”.
Eles também te saúdam com uma simpática careta, caso você tente abrir alguma fresta da cortina.(Just FYI)
Aos motoristas de fretado que cada dia inventam um percurso novo e agem como se você fosse A GUIA TURÍSTICA DE SP e tivesse a OBRIGAÇÃO de saber onde o ônibus vai parar ou onde deveria descer, mesmo com todas as janelas fechadas. (Ainda estou me aperfeiçoando em Clarividência)
Aos motoristas de carro que nunca andaram a pé em dias de chuva e não fazem a mínima questão de SEQUER DIMINUIR a velocidade para um pedestre atravessar. (Eles provavelmente também não sabem que o pedestre tem a preferência, ou fingem não saber)
A atendentes de café que sorriem confirmando que te ouviram enquanto você faz O MESMO PEDIDO DE SEMPRE e depois perguntam de novo o seu pedido 24845624 mil vezes. (Todos os dias)
As mesmas atendentes que fingem que não notam quando você olha no relógio, sugerindo alguma POSSÍVEL agilização no processo, e continuam conversando sobre novela das 20:00hrs. (Todos os dias)
As mesmas que fazem uma cara de interrogação quando você pede NF Paulista e levam MEIA HORA procurando o bloquinho de NF – “É ESSE?”, “NÃÃÃO!”, “ E ESSE?” ; e depois esquecem de anotar o seu CPF.
As mesmas, que depois de VOCÊ EXPLICAR COMO FUNCIONA uma NF Paulista ainda anotam o seu CPF errado, e depois de VOCÊ alertar o fato, elas re-colocam CALMAMENTE o papel no bloquinho, afinal de contas, ELAS não têm pressa.
Quando nessa lerdeza toda você cogita abandonar o seu pedido (que você pediu para viagem, para ser mais rápido), se lembra que ninguém mais por ali consegue errar um Capuccino e deixá-lo empelotado do jeito que você gosta. (O único erro bem-vindo)
E claro, considera o fato que os atendentes da lanchonete ao lado têm QI equivalente...
Nesses momentos você olha para o Céu, (cinzento e úmido de SP) respira fundo, (o ar puro da Marginal Pinheiros) e pensa:
“Me atendam mal. Me atendam muito mal. Eu ainda vou ficar rica com isso.”
E dá graças, por ter uma visão crítica das coisas.
A vocês, que fazem parte de tantos dos meus dias, meu sincero agradecimento. Vocês me motivarem a continuar.
Estuda o elementar:
Para aqueles cuja hora chegou
Não é nunca demasiado tarde.
Estuda o abc.
Não basta, mas estuda. Não te canses.
Começa.
Tens de saber tudo.
Estás chamado a ser um dirigente.
Freqüente a escola, desamparado!
Persegue o saber, morto de frio!
Empunha o livro, faminto! É uma arma!
Estás chamado á ser um dirigente.
Não temas perguntar, companheiro!
Não te deixes convencer!
Compreende tudo por ti mesmo.
O que não sabes por ti, não o sabes.
Confere a conta. Tens de pagá-la.
Aponta com teu dedo a cada coisa
e pergunta: "Que é isto? e como é?"
Estás chamado a ser um dirigente.
- Bertold Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Nada é impossível de Mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Privatizado Privatizam sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.
- Bertold Brecht
“Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.”
Ha-há. read more
on 18-12